Aqui está meu blog, onde pretendo espelhar um pouco do meu pensamento. Este tambor eletrônico e verbal vai tocar com suingue? Vamos tentar.
sexta-feira, outubro 29, 2010
segunda-feira, outubro 18, 2010
Torcida do Bahia ora o Pai Nosso ao final de cada trinfo.mp4
sábado, setembro 18, 2010
Márcio Araujo: Um legado de Telê Santana
quarta-feira, abril 21, 2010
Ama de Música (Brasília)
Eu tinha nove anos
E você já feito onze
Da Bahia me levaram numa máquina do tempo
Para seios onde em traços de poetarquitetura
deitavam o sonho de Nonô e o chumbo da ditadura
Para seixos dos riachos recortando teu cerrado
Teu recato transbordado
teu mistério desvendido
Tua poesia me chama quando chego em você
nada muito a dizer, minha amante consentida
De ti nasceram meus filhos com a Guanabara
Mais brasileiros, como poderemos ser?
Parabéns, querida ama de música
que me mostrou o céu de frente, o voar no chão
o bater meu tambor no teu Brasil coração
domingo, fevereiro 14, 2010
Carne de Sol, Carne do Sol.
A carne de sol tem origens diversas, histórias contadas de todo canto, mas a verdade é que em comum todas as versões se encontram no fato de que alguem precisou um dia salgar a carne para conservá-la em tempos sem geladeira. Quanto mais sal, mais tempo de conserva.Na época do Descobrimento, as carnes, além do sal, eram protegidas de fungos, moscas e suas larvas com sal e muito tempero, as chamadas especiarias, que eram base das transações econômicas da época e citadas pelos historiadores como motivadoras das rotas marítmas que deram outra cara ao mundo.
A carne de sol tem versões diversas de acordo com a região: umas se curtem mesmo ao sol, outras depois de salgadas deitam seu soro sob o sereno. Os cortes variam com as preferências, como mudam os nomes das partes do boi Brasil afora.
As minhas versões preferidas são as da cidade de Rui Barbosa e da Chapada, na Bahia, as servidas em Natal RN, Pernambuco, Paraíba e as espetaculares carnes de sol de carneiro e bode de Teresina.
Mas lembro das viagens com meus pais a Feira de Santana, na Bahia ainda garoto. A feira "de Feira", gigantesca, com gente vinda de todo lugar para vender e comprar, exibia nas suas barracas aquelas mantas enormes de carne do sol, que minha mãe cuidadosamente ia escolhendo, enquanto eu salivava antecipando a hora do almoço que viria sob a regência daquelas mãos mágicas a preparar um bom pedaço para ser comido com pirão de leite, um feijaozinho, um suco de mangaba...
Patinho, coxão-mole...Mais magra a primeira, mais adiposa a segunda, eram as preferidas de Dona Ruth.
E a cada nascer do sol, essa iguaria volta e meia aparecia na mesa lá de casa. Depois, morando em Brasilia, aproveitamos a boa presença nordestina no lugar para continuar no hábito. Mas sempre, comprando pronta em açougues onde um bom nordestino conservava carne e cultura. E assim aderiram também ao gosto a minha companheira e os nossos filhos.
Aqui no Rio, ao chegar, percebi que carne do sol não se encontra em todo lugar, perto de casa. É preciso que se procure restaurantes especializados, ou então indo direto à Feira de São Cristóvão, onde o que não falta é opção para se comprar, seja nos restaurantes ou nos açougues.
Vindo com a força do hábito, era pouco para mim. Não ter carne do sol no açougue da esquina era o fim. Resolvi fazer a minha própria. O sertão bravio clamava no meu estômago. As caravanas vencendo a caatinga do interior baiano rugiam no DNA. Brumado, Boninal, Seabra, Lençois...A rude carne do sol que se apaziguava as faces ensolaradas e curtidas do sertão baiano chamava o frugal bife com fritas e feijãozinho preto carioca de "fulêro".
Parti para um açougue, comprei um bom pedaço bem gordo de chã (como chamam aqui o coxão-mole), e o coloquei na tábua. Abri lateralmente, no sentido da gordura para baixo, um bifão de uns 3,5 cm de altura até pouco antes de transpassar. Em forma sanfonada (tudo a ver!), no corte, voltando no sentido contrário, fui dando forma àquela peça que seria a primeira de muitas.Salguei, com sal fino (é melhor para controlar a quantidade. O sal grosso passa do ponto muitas vezes), deixando a mesma com uma crosta esbranquiçada de sal e a deitei numa vasilha grande. Seis horas marinando, escorri o soro, salguei de novo. Quatro horas marinando, escorri mais soro e acrescentei um copo de leite integral, onde ficou por mais 4 horas. (O leite redistribui e equilibra o sal, retirando o excesso sem tirar o sabor da carne, como a água faria. A carne de sol desse preparo não precisa escaldar nem por de molho.) Continuando, já de noite, pendurei a danadinha protegida por um filó e a deixei serenar, a retirando no final do dia seguinte...Estava pronta a minha vingança cultural, satisfeito meu paladar e fica como receita para quem ler.
Só lembrando: Carne de sol e carne-seca ou charque, são coisas diferentes. Cuidado com a pressão alta!
abraços
João Bani
segunda-feira, dezembro 07, 2009
A riqueza e a "Civilidade"
Em Curitiba, uma das cidades de IDH (Indice de desenvolvimento humano) mais elevados do País, o vandalismo e a barbárie tomaram conta do Couto Pereira, na insatisfação de torcedores paranaenses pela queda do "Coxa".
No Rio, enquanto bairros humildes da zona norte e do subúrbio comemoraram o título do Flamengo na paz, um dos bairros de IDH e renda per capita mais altos do Rio e do Brasil, o Leblon, virou praça de guerra de filhinhos de papai marombados e praticantes de artes marciais, torcedores do mesmo clube, que venceu o brasileiro. Imagine se tivesse perdido.
Quando a gente vê uma menina como a Cristal tocando piano absurdamente bem surgir de uma favela do Recife. Ou vê um Presidente da República oriundo do Sertão e do operariado ,preconceituosamente chamado de "analfabeto" ou "ignorante" por alguns se tornar líder internacional respeitado e ouvido, com um governo de indices de aprovação elevadíssimos e resultados sociais nunca obtidos antes..Quando eu vejo uma menina como a Mayra, 17 anos e líder na Favela da Vila Cruzeiro na luta contra as desigualdades, a quem muito orgulhosamente dou simples aulas de percussão, ser eleita Nobel da Paz Mirim e receber reverencias do Bispo Tutu, além ser considerada uma das 100 personalidade do ano pela revista Época...Quando vejo o Adriano, também da Vila Cruzeiro, desafiar os "cretinos fundamentais" e os "óbvios ululantes" (obrigado, Nelson Rodrigues) do pensamento raso monetário de que foi louco por trocar a infelicidade ultra remunerada na Europa pela felicidade de estar perto de casa e das coisas simples da vida...
A gente percebe que o querer é maior que o "Poder". Porque o querer que luta tudo pode, e com o sacrifício faz muito melhor.
segunda-feira, agosto 31, 2009
KINDALA
Formado pelas irmãs Daniele, Gabriele e Liliane Correa, o Kindala traz a sonoridade herdada dos antepassados africanos em músicas de louvor a Deus e à cultura quilombola.
Originalmente denominadas "Trio Remanescente de Cantoras Quilombolas da Praia Rasa", o grupo adotou, por sugestão do produtor e músico João Bani, o nome de "Kindala", que quer dizer "Agora" na língua Kikongo-Kimbundo, de Angola, nação berço dos escravos que foram desembarcados na Praia Rasa, em Búzios, no Século IXX.
Cantando juntas desde a infância, nas Igrejas Evangélicas da Região de Búzios, desenvolveram uma interação vocal surpreendente, estimulada em muito pelo pai, músico evangélico que sempre pregou a valorização da sonoridade africana.
Atualmente estão em fase de Pré-produção do seu primeiro CD, com produção do Músico João Bani (www.myspace.com/joobanipercussioncomposer) e arranjos de João Bani e Humberto Mirabelli.
quarta-feira, outubro 15, 2008
Leny Bello
Leny Bello
Ela é agitada, ansiosa, irrequieta e sincera. Ela rebate na lata, ela não te falta, ela está sempre pronta. Esse coração aberto de passo marcado, de compasso dividido por quantos for necessário. Essa mulher forte, amiga, leal, que nos apresenta os maiores valores que podemos esperar de uma amizade, carinho e verdade, chama-se Leny Bello.
Já se vão três anos do final de 2005, quando você se mostrou para mim uma grande amiga num momento de perda, com suas sinceras orações pela minha mãe.
Leny, minha querida. Dona Ruth recebeu suas orações, eu tenho certeza disso. Não sei se corações corajosos e generosos como os de vocês duas tem alguma espécie de “clube”, ou sociedade entre os diversos planos espirituais, mas ver nossa amizade, tudo o que você me ofereceu, o exemplo de vida, o entusiasmo, a energia, tudo me vem como uma encomenda de Dona Ruth.
Leny, a cada quarta feira que você ajudava uma entidade assistencial, você me ajudava também. Cada quarta era a “feira” de quinta e com ela eu pude contar durante todos esses meses. Nosso ciclo de Canto e Cantoria este ano inicia agora sua pausa exatamente quando novas oportunidades profissionais surgem para mim. E me dão a certeza de que mais valeu estar ao seu lado, da sua positividade, da sua garra e sinceridade, do que ter dado atenção a tristes vaticínios que tentaram impingir a meu futuro profissional. Meu tambor bate forte e para o bem! Meus “sérios problemas” agora são outros, como por exemplo, tentar conciliar uma agenda. E o de passar as quartas feiras sem sair daqui do Grajau de tardinha, pegando o rumo do Canto e Cantoria, para cortejar sua belíssima obra, minha querida. O ciclo da vida segue, novos ganhos e perdas virão, novas safras e entressafras, mas o que se consolida no coração não se esquece.
Muito obrigado, que Deus abençoe nossa amizade.
João Bani, 15 de outubro de 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
Os Grandes Clubes não morrem

sexta-feira, abril 11, 2008
Rádio-Cabeça


O ônibus era puro barro, numa Brasília das primeiras chuvas, avenidas monótonas, paisagens que só o tempo deixava desiguais. Era preciso passar muitas vezes por elas para aprender a diferenciar cada quadra da outra, cada parada da próxima ou passada... A música na minha cabeça rolava entre Deep Purple e Noel Rosa. Os primeiros me haviam chegado muito tempo antes, pelos discos do meu irmão. O Poeta da Vila, por uma coleção mensal sobre MPB que tínhamos em casa.
Smoking “under” the water, quase como Jon Lord, Blackmore e tribo, com um cigarro aceso e quase molhando, mas sem mosquito para espantar quase como Noel, eu sem saber vivia o porque da música ser um traço definitivo na vida de certas pessoas. Diante do silêncio da capital nos anos 70, só Música para me fazer companhia nos percursos daqueles ônibus mudos e imundos. Eu desenvolvera em minha mente uma discoteca. Ainda não havia chegado o walkman, hoje eletrônico dinossauro. Rádio com “egoísta” poderia ser uma solução. Mas em stereo, com repertório próprio e com o arranjo destacando o que se queria, somente a Rádio Cabeça.
Morava na Vila Planalto, uma comunidade remanescente dos pioneiros da construção da Brasília, numa bela casa de madeira, com um grande quintal, numa família onde os discos juntavam o sertão de Luis Gonzaga dos meus pais, reminiscências da Jovem Guarda, Chico Buarque, Caymmi, Gal, Gil, Elis, Caetano, Stones, os já citados Purple e Noel, coisas da Motown...Era um ecletismo bastante saudável. Gosto muito do que ouvi. Hoje, sem sugerir uma palavra que os direcione, vejo meus filhos gostarem também de muitas dessas coisas. Descobriram na internet.
A mudança para Brasília, que ocorrera anos antes, fora um dado importante nessa musicalização. As interações culturais da cidade , com gente chegando de todo o país e muitos estrangeiros residentes, destacavam personagens da nova cena musical naqueles tempos ainda de regime militar, quando aconteciam pequenos filhotes de Woodstock nos Concertos ao Ar Livre que os chamados “agitadores culturais” promoviam nas entrequadras.
Mas na minha Rádio cabeça, no Norte daquela bússola onde imerso eu seguia olhando o céu de frente na Capital, naquela metade dos anos 70, um repertório novo surgia . Rose, uma das minhas irmãs, verdadeira Rosa dos Ventos Musicais, chegara em casa com um LP, Minas, de um cantor e compositor que então já era consagrado, mas que passara ao largo da minha Rádio cabeça durante algum tempo. Ouvi, e ouvia o Gran Circo de introdução triunfante, com harpas , com vocalizes do Pará em Fafá, as percussões ricas, o Trastevere me apresentando free jazz com vocais de catedrais. Os compassos compostos soando naturais, as Asas da Panair, o beijo Partido unindo Paula a Bebeto.
Minas , o disco, e Minas , a terra, me mostravam caminhos para tanto lugar... Com divisa relativamente perto do Distrito Federal, pelas bandas da obra de Guimarães Rosa, bem ali estava a Minas do peixe vivo, do Juscelino que gerara aquela Brasília onde embalava os percursos da minha Rádio imaginária agora ao som de um filho seu e sua turma.
Minas, o disco, me levou a Geraes, me resgatou o Clube da Esquina anterior que eu não conhecera, me impressionou com Raça. Me mostrou Journey to Down , viagem melhor que as bad trips de tantos heróis da época. Naqueles ônibus, eu pagava a passagem com um Tostão, One Coin, mais valioso que um milhão. Lília era trilha sonora da L-2, superquadras passando... Com Fé cega e Faca amolada eu enfrentava o vazio do Eixo Monumental. “Menino” me mostrava em barro as crianças largadas na Rodoviária, “Fazenda” era orvalho no seco Cerrado...E eu com o silêncio do ônibus, com gente tão calada nos bancos, tempos de regime militar...Que rádio estariam ouvindo, que programação teriam para animar o silêncio daqueles medos?
Pensei em escrever sobre isso para celebrar uma alegria espiritual e profissional que me tem sido ofertada há alguns anos. A de poder, eventualmente, colocar a serviço do maior hitmaker da minha “Rádio Cabeça” os meus tambores, minha música, o que não deixa de ser uma retribuição. Ele me deu a música, que a tome de volta. Há alguns anos, pela generosidade da confiança do amigo e mestre de percussão Marco Lobo, titular absoluto do time do Bituca, tenho tido oportunidade de participar de shows do Milton, como substituto. Na última delas, em Belo Horizonte, diante de uma multidão na Praça da Estação, tive a boa e velha Rádio Cabeça a me auxiliar , na lembrança daquela trilha sonora que me conduzira pelas ruas de Brasília e que afinal me levara até ali, àquele palco. Fosse futebol o ofício da minha alma e seria como estar em Santos jogando bola com Pelé.
A diferença é que nos jogos do time do Bituca, ninguém perde.
A Rádio Cabeça agradece.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Admiral Eruditino
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Admiral Eruditino
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| Admiral Eruditino nasceu no bairro do Santo Crítico , Rio de Janeiro. Desde cedo, Admiral vivia um drama existencial, diante da sua sensibilidade que ,pelas circunstâncias da vida, tinha de enfrentar a obrigatória audição dos clássicos populares, verdadeiramente populares, que saindo dos alto falantes de rádios AM, enchiam o ambiente dos seu bairro de "música de baixa qualidade" para os conceitos de Admiral : Odair José, Nadinho da Ilha, João da Praia, The Fevers, Zé Rico e Milionário.... Com seu coração revolucionário compreendia a adoração daquela gente sem dente que o avizinhava por aquele tipo de submúsica: Nem todos tiveram acesso à sua leitura. Nem todos o deixaram jogar bola, mas os livros ficaram com ele. O jovem fã dos ícones da música engajada da sua época, aliás, logo percebeu que bom mesmo era ser ruim de bola: quanto mais caracterizado fosse o seu desprezo pelo esporte alienante, melhor. Admiral , se não tinha gosto pelo esporte, tecia letras de Música Popular Brasileira, aquela que ele queria popular. Aprendeu um pouco de violão, mas o suficiente para que não fosse considerado um violonista: Ele era compositor. Ele era um revolucionário, tinha que tirar a beleza de poucos recursos, inclusive musicais. Nisso, colecionava adjetivos irônicos para aquela música que ele desprezava, principalmente para os "culpados" por ela, no seu pretensioso entender. Do que sei do Admiral é que ele cresceu, constituiu família e trabalhou em jornal, onde por muitos anos esteve, e fez amigos. A demissão veio, junto com uma indenização, o suficiente para se arriscar na gravação do seu primeiro CD. Com doze faixas, vaticinou que quatro, mais populares, quase uma heresia para seu passado, seriam "trabalhadas" junto aos inúmeros amigos que fizera na imprensa. Implacáveis amigos. Seria melhor que não escrevessem nada sobre seu disco , que seriam mais amigos: "Letras desprovidas de sentido, num agrado inexplicável ao Axé" ou "Numa toada enervante, de forte acento sertanejo, nos faz crer que uma espingarda de cano duplo seria suficiente, se Admiral tivesse parceiro". Admiral, convencido pela força da bruta realidade, esqueceu-se da música mas não dos adjetivos a serem aplicados a quem a faz: Hoje é crítico de música em jornais da Internet e ocasional em listas de discussão. Seu disco faz um sucesso danado nos alto falantes da rádio comunitária do bairro de Santo Crítico: Tocam as quatro comerciais faixas "de trabalho". | |
domingo, outubro 21, 2007
O músico e o fim do imposto sindical
"Eu acho que o imposto sindical acomodou muito o sindicalismo brasileiro. A verdadeira fonte de recursos do sindicato deve ser mesmo a categoria" (*)
quinta-feira, setembro 13, 2007
Sem Noção
terça-feira, setembro 11, 2007
7 de setembro

Os olhos diesel vermelhos
que ele é um crack da cola
não tem escolha o menino
nem escola
a infancia em fumaça, presa
verdes anos em veneno
vida baldia, terreno minado
merenda embalada em saco de lixo
em bandos vão , bichos
As pernas magrelas dobradas
agachados,conferência
desafiando omissão
debochando da decência
fazem tremer a madame
enervam o guarda civil
gargalhada pueril
é tosse que lacrimeja
por olhos diesel vermelhos
segunda-feira, agosto 27, 2007
Coral
Colore o cenário e os cílios
Carrega os filhos e as cores
Coral
Marcenaria e ilha
Cara e coroa
Coral
Segredo de um sucesso
Apenas mais um, que se cora
Coral
Garganta a pleno vapor
Em águas de sulfura pura
Coral
Cantando no fundo do mar
Rasgando as peles em pranchas
Coral
Alimento nas marés
Tropeção para os banhistas
Coral
Harmonia em profusão
Nas águas da convivência
Coral
Alegria e mais alegria e mais alegria e embevecimento vocal
sábado, junho 30, 2007
Evilásio e o Habeas Corpus

Nos últimos anos, o trabalho me tem sido generoso em oportunidades de visitar minha terra, Salvador, e assim poder passar uns dias com meus pais, rever irmãs e amigos, parentes, sabores e lugares da capital da Bahia. Sair a pé pela cidade, do Campo Grande ao Pelourinho (êta! tá parecendo letra de música de bloco baiano!), refazendo trajetos há muito e muitas vezes vividos, respirando os sons da cidade, saboreando imagens... Ou uma ida até a Cidade Baixa por Itapagipe, berço da minha infância já relatado aqui em “As mães e as manhãs” e na lembrança da baiana Leonor em “A culpa é do orégano”, para ver qual o aspecto atual da antiga casa da Rua da Imperatriz. Conferir se finalmente despoluíram a Praia da Boa Viagem, relembrar a praia do Humaitá, provar os sabores da sorveteria da Ribeira, sorver uma cerveja gelada e comer siri-bóia no bar da Tia Maria, na Pedra Furada... Minha terra é um insulto à tristeza.
Mas é um convite à placidez e à meditação, quando o dormir dos alto-falantes e sistemas de som presentes em praticamente todas as barracas de praia nos permite esse sossego. Pois nada como ler um livro e olhar o mar, olhar o livro e ler o mar, numa mesinha à sombra, num dia de semana de praia vazia.
Sempre que tocando em Salvador, dispenso o hotel e vou para a casa dos meus pais, na Pituba, bairro litorâneo que cresceu e se afirmou na preferência da classe média soteropolitana entre os anos 60 e 70. Sua praia já foi muito freqüentada, mas a crescente poluição do Rio Camurujipe, que deságua na praia vizinha de Costa Azul, diminuiu em muito sua balneabilidade, porém as barracas de praia, a cerveja gelada, os caranguejos e a placidez continuam lá, a alguns passos de casa.
Numa dessas manhãs, já perto do meio-dia, me instalei num banquinho de uma daquelas barracas silenciosas, ao som de um mar maculado, mas ainda de um tom azul Caymmi a espumar um branco oxalá nas pedras e areia, e fui recebido pela simpatia sarará da Dona, cerveja super gelada mergulhando naquela cápsula que se pretende conservadora da temperatura ideal da “loura”. Mansamente agradecido à qualidade de tal aquarela de etnias, cores humanas e “cervejais”, arrisquei um caranguejo.
-Não tem! Caranguejo tá um horror de se encontrar. Dizem que deu uma praga que não se acha mais caranguejo que preste por aqui, mandam vir de avião, de Belém do Pará e eu não tenho o pistolão de conseguir... Mas tem lambreta, agulhinha-frita, sururu...
Aproximava-se a hora do almoço e eu fazia o pacote perfeito para um dia de folga: Uma caminhada até a praia, uma cervejinha, algumas páginas, conversa fiada e contemplação, antes da caminhada de volta a casa. Caranguejos, com a trabalheira que dão para serem comidos, até abrem o apetite, até porque para se saciar de caranguejo são necessários alguns, não um apenas. Sem caranguejos, já perto de almoçar, resolvi ficar somente na cervejinha mesmo
Então, como do nada, surge alguém que pode agregar se não caranguejos, pelo menos outros crustáceos ao cardápio da barraca: Um vendedor de siris. Um tipo baiano espigado, chapéu de palha, samburá cheio de siris pendendo do ombro, se chega à barraqueira com familiaridade e é recebido efusivamente:
- Digaí, freguesa, olha que bitolão de siri? Tirado hoje do mar...
-Mas rapaz!!! Quem é vivo sempre aparece! Quequiá, menino? Como você tá, rapaz? Tomou juízo?
-Vamos indo, né... Correndo pro bicho não pegar, fazendo minha parte... Atrás do meu sustento...
-E aquele amigo seu, aquele que não é muito certo, como é... Evilásio! Evilásio tá preso ainda?
-O quê? Evilásio? Evilásio tá é muito bem solto. Se não tiver roubando de novo, amén!
-Marrapaaz, aquele apronta muito!
-Evilásio arranjou um advogado bom, sabe lá como, o advogado conseguiu um Corpus Christi pra ele, que já tá na rua tem tempo...
Não pude conter o riso diante da expressão equivocada do amigo do tal Evilásio. A barraqueira perdeu a fala e arriou sua cabeça em sacolejos de riso sobre o balcão da barraca, olhava pra mim, entre uma gargalhada e comiseração pelo amigo:
-Quiá quiá quiá... Isso é uma heresia, rapaz, você quis dizer Habeas Corpus, né não? Ah esse menino... Quáááásss... -as lágrimas chegavam a brotar dos seus olhos.
-E eu sei? Não tenho formação pra isso não! , ria também o pescador e, virando-se na minha direção: Não é, meu senhor? Cadê o estudo que o governo não dá? , politizou nosso amigo, com o que concordei.
-Claro... E certas palavras confundem qualquer um... É isso mesmo.
Fiquei imaginando a saga daquele conterrâneo, buscando no mar seu sustento, seguindo caminho árduo, mas que lhe dava as portas e braços abertos de amigos como aquela barraqueira, e tendo o privilégio de poder rir de si próprio, por não precisar de habeas corpus da sua consciência, como necessitaria Evilásio, uma arraia-miúda perto dos tubarões que estão soltos por aí, roubando de novo e sempre.
quarta-feira, junho 20, 2007
PRESENTES DO ESPÍRITO SANTO E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Tirar as estradas dos mapas, viajar pelos sertões vencendo cada milímetro do atlas escolar, apertado entre irmãos numa Rural Willys, ou numa Kombi, isso é recorrente nas minhas lembranças da infância. Acompanhar meu pai em suas viagens pelas cidades do interior baiano onde ele ia inspecionar o ensino público do Estado. Tão devotado meu pai, um educador apaixonado pela profissão.
No início , o mundo rodoviário era entre Salvador e Seabra, na Chapada Diamantina , terra do meu pai e meus avôs, e cidades circunvizinhas. Um milhar de quilômetros adiante da Chapada, diziam as placas, havia Brasília.
Brasília.
Era só meter o pé na estrada, atravessar o São Francisco na balsa, comer muita poeira e chegar à Meca de JK, eu imaginava ainda menino. A Serra da Mangabeira, imponente, parecia demarcar o início da mudança de Sertão para Cerrado.
Sobre Brasília, tanto a se falar, mas o que prezo muito é a invejável condição que uma capital nascida do nada pode reunir: Exatamente por nascida do nada, nos trazer tudo. Todo o norte, todo o nordeste, todo o centro oeste, sul e sudeste, verdes, recém chegados , a criar animadas rodas de amigos, a conviver dendê com chimarrão, chula com carimbó , samba de roda com samba-canção.
Brasília segue submetida à pechas injustas e cruéis para uma cidade. Xingamentos que deveriam atingir sim a determinadas figuras que habitam seus gabinetes e escritórios de lobbyes, mas que têm suas matrizes, seus nascedouros de lama em seus estados de origem. Melhor ainda seria se atingissem antes nossas próprias consciências ao votarmos em nossas cidades, tendo compaixão com a Capital e com o País, mandando gente honesta para lá.
Mas muita gente honesta e amiga deixou suas terras, venceu suas serras da Mangabeira e aportou na capital ,desde sua construção até hoje, eleitos pela obrigação profissional , em sua maioria.
São inúmeras as pessoas em Brasília com quem desenvolvi laços de graus variados de amizade. Laços que desatam nós de preconceitos regionais, que nos mostram quão infame é qualquer motivação separatista ou xenófoba neste País.
A bordo da hospitalidade de famílias amigas , como a de Stenio Bruzzi e Dona Regina Vereza Bruzzi, pais do grande amigo Reginaldo, da Rita e da Marta, pude ampliar o alcance do meu atlas, da minha imaginária viagem dentro do mapa, observando diminuir a quilometragem restante para o destino daquela viagem de férias: O Estado do Espírito Santo, para onde seguia a família Bruzzi, eu convidado deles.
Lagoas de Coca-Cola, a fábrica de Bombons Garoto, a Praia da Costa, a Barra do Jucu, a vida marinha à mesa, eis o Espírito Santo. A beleza suave das capixabas, a fala meio mineira à beira mar. Ao norte, a Bahia, ao sul o Estado do Rio, a Oeste Minas, a leste o oceano com marlins azuis, badejos, peroás e onde a imaginação nos levar, o Espírito Santo , esse embaixador do criador, o canal de comunicação com o Pai.
Voltaria depois para participar de um show de aniversário da cidade de Cachoeiro do Itapemirim acompanhando o artista brasiliense Renato Mattos , quando mais um presente o Espírito Santo me deu: Um passeio numa Maria Fumaça por serras enflorestadas, com bandas de música nas estações, com presépios, laranjas, feijões e uma música de Gilberto Gil no walk man embalando o café-com-pão-café-com-pão do som ferroviário:
João Sabino :
Tava comendo banana pro santo
Pra quem?
Pro santo
Pro santo espírito senhor
Pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai do filho do Espírito Santo
Senhor pai de quem?
Filho do Espírito Santo
Filho de uma localidade de lá
Nessa localidade de lá
Uma abertura de si
Uma embocadura pra dó
Sustenindo uma passagem pra ré
Mi bemol
Já traz o som, o eco
A claridade
Ainda um pouco abaixo do horizonte
Atrás do monte
De mi pra fá
Sustenindo, suspendendo
Sustentando, ajudando o sol
Nascer
Aqui na terra
Atrás da serra
Cachoeiro do Itapemirim
O sol nascer
João Sabino, eu imagino
Quando era menino, via assim
Melhor que qualquer fotografia , a música parece nos trazer de volta não só as imagens como os cheiros, o ar entrando pelas janelas do trem, a densa floresta debruçada sobre a serra recortada pelos trilhos, precipício acima e abaixo, uma beleza natural que parecia gritar ,abafando o ruído do trilhar do trem. Isso foi há mais de 20 anos.
Dia 16 de junho , sábado passado, cheguei quase à metade da idade do meu pai. Fiz quarenta e cinco, ele faz 92 em setembro. Segundo ele, cheguei à idade da maturidade, quando melhoramos, depuramos o que de melhor temos sido para conduzir nossas vidas, pois é o que temos daqui por diante. Tomara que esteja certo, pois percebi que o nível 4.5 traz de volta o embevecimento de menino e uma certa fragilidade que nos faz crescer diante de quem nos gosta, por aguçarmos nosso olhar, aprimorarmos nosso toque, dosarmos nossas palavras, nos despedirmos daquela tola mas necessária sensação de independência e onipotência que se inicia após a puberdade e nos acompanha durante um bom tempo, mas que tem prazo de validade.
Nesse dia eu estava em Vitória , no Espírito Santo, para participar de mais um show acompanhando Jorge Vercilo , no Teatro Glória. E foi sob efeito de 45 anos de vida e diante da platéia, que me vi por ela homenageado, pelo Vercilo e todos os outros irmãos dessa nômade família que é a banda.
Lá no palco ouvindo um parabéns pra você, encabulado, eu notava que um casal me acenava com um instrumento musical que eu não conseguia identificar na hora, mas que me proporcionou muita alegria, quando recebi das mãos de Néia e Júnior uma autêntica Casaca do Mestre Vitalino.
Não, o frio não era intenso, nem Mestre Vitalino se trata de um nome destacado em confecções de inverno. Casaca é como se chama uma espécie de reco-reco usado pelas bandas de Congo do Espírito Santo, trabalhado e esculpido com esmero, de sonoridade forte e expressiva.
Um mimo sonoro que vai me acompanhar em muitos sons por aí, marcando mais uma vez na minha vida a simpatia do povo capixaba.
Era mais um presente do Espírito Santo
És empírico Santo, Espírito. Só experimentando pra saber.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
A Cor do Rei

A cor do Rei
João Bani
Certa vez na internet
Numa peleja de verbos e parco conhecimento
Da dimensão do elemento colocado em discussão
Não foi por vinte merréis pra pagar três e trezentos
A arenga do momento era a cor do rei do Baião
Cego mesmo ele não era, de Aderaldo o talento
Um globo ocular ocultando a santa terceira visão
Um olho morto por fora, enxerga tudo por dentro!
Outro bem vivo e atento, vê morena inspiração!
Soba, retinto ou cafuso
Sarará, bugre ou mulato
Cabo-verde misturado
Caboclo cabra da peste
Alma viva do Nordeste
Ave Luar encantado
Se era preto ou mestiço
Se tinha olho postiço
Me diz: que tem tudo isso
A ver com a auréola da Lua?
Gonzaga banhando o roçado
Luiz animando a rua
Xaxado, xote e baião
subindo a poeira do chão
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Bahia: Capoeira, Tambores e Futebol.

O Futebol , como praticante, nunca foi meu forte, nem esse esporte teve ou tem destaque maior dentre as atividades dos filhos de Dona Ruth e do Professor Sá Teles, desde os tempos de Itapagipe, em Salvador, até nossa vida em Brasília.
Meu pai até tem em suas memórias publicadas, referências ao time de basquete que treinou , formado pelos seus alunos no agreste da Chapada Diamantina nos anos 30/40. Minha irmã mais nova, Joseane, é uma formadora de jovens atletas de GRD - Ginástica Rítmica Desportiva, profissional dedicada e competente, e seus filhos são bons de bola, mas nada podem esperar nesse sentido dos tios, eu incluído.
Minha relação com o esporte sempre foi difusa, como na capoeira onde ingressei, já morando em
Brasília, como aluno do saudoso mestre Chibata. Assim me tornei percussionista: Mais entusiasmado com os pandeiros, atabaques e berimbaus, do que com as "negativas", "Meias-Luas-de-Compasso", "Queixadas" e "Martelos-rodados", preferi rodar em direção à roda de samba, me afastando da de capoeira, mas ainda levando a certeza de ter sido batizado de alguma forma na arte de promover a cultura que o sangue dos meus ancestrais deixou marcada em mim. E o mestre Chibata, baiano de Mar Grande, era um desses embaixadores da cultura negra. Ensinava a jogar capoeira, ensinava a tocar, a cantar e a ser um cidadão brasileiro.
A força da origem me legou a alcunha de "Baiano". João, Baiano, torcedor do Bahia tal qual o professor Sá Teles. O "Baiano" se reduziu e virou Bani, apelido aplicado pelo anglicismo roqueiro e gaiato de um saudoso amigo, Fábio, guitarrista dos bons, e assim ficou até hoje. Seria uma referência a Bunny (Wailer) Livingstone, percussionista integrante e mentor dos Wailers , banda primal de Bob Marley e Peter Tosh, dos quais sempre fui devoto, desde aqueles tempos. Ouvir reggae, tocar tambor e torcer pelo Bahia: A pretíssima trindade que embalava minha juventude.Torcer pelo Bahia, morando em Brasília, era uma resistência cultural diante da predominância de torcedores de times do Rio, São Paulo e Minas. As informações sobre o tricolor eram parcas. Eu ficava procurando um posicionamento favorável do aparelho para sintonizar melhor a Rádio Sociedade da Bahia AM ou Ondas Curtas, e acompanhar os jogos do Esquadrão de Aço baiano. Naquele tempo valia a pena. O Bahia era quase imbatível na Fonte Nova, seu templo, e sempre estava bem colocado nos campeonatos brasileiros, sem passar o vexame que vive nos dias de hoje, rebaixado à terceira divisão. Era um entusiasmo que me levou à ilusão de me acreditar um jogador de futebol: Cheguei a treinar nos mirins do CEUB, em Brasília, como um lateral direito atabalhoado mas corredor, porém sem futuro algum. Pelo menos, a prática dos treinos me garantia alguma desenvoltura para, nas férias em Salvador, formar canchas imaginárias de "Perivaldos", "Baiacos" e "Douglas", ídolos tricolores da época, com meus primos, nos campos de "Baba" e nas areias batidas da praia de Placaford. As mesmas areias que , de tão batidas, não amorteceram o impacto sobre o meu braço, numa queda que levei jogando, devido a uma rasteira de um oponente desleal: Quebrei o braço. Percussionista de braço quebrado é cantor afônico. E fiquei por mais de 50 dias sem poder tocar meus tambores: Desanimei com o futebol.
Esse desânimo com a prática do Futebol chegou ao torcedor, já há alguns anos, enquanto tenho acompanhado a decadência imposta ao Esporte Clube Bahia pelos seus dirigentes. Desde a metade dos anos 90, o Bahia, Bi Campeão Brasileiro, o clube com mais títulos e maior torcida, dentre todos os do Nordeste do país, detentor de vários recordes de público no futebol brasileiro, tem sido submetido a vexames, rebaixamentos à segunda e terceira divisões, sofrido goleadas, e humilhações. Mas sempre manteve a capacidade de formar bons jogadores.

Ontem eu pude resgatar um pouco da alegria de ser Bahia, graças aos jovens da categoria de juniores, com menos de 18 anos, que representam o tricolor na Copa São Paulo de Futebol Junior. Apesar de tratados pelo clube com uma precária alimentação à base de arroz e pão com ovo, eles vêm fazendo uma campanha espetacular e , num jogo heróico diante da Ponte Preta tiveram a capacidade de lavar a alma dos verdadeiros torcedores do Bahia. Já fizeram muito por nós, acordando de novo a dimensão do que é ser torcedor do Esquadrão. Se não passarem pelo Atlético do Paraná, tudo bem. Mas a garra dessa turma me mostra que ainda é possível tirar aquela velha camisa azul vermelha e branca da gaveta e gritar: É CAMPEÃO!
Enviei um texto sobre o assunto, que foi publicado no melhor portal dos Bahia na WEB, o www.ecbahia.com.br, o qual reproduzo aqui:
OS MENINOS DO "PÃO COM OVO".
Hoje , mais uma vez, pude ter de volta a emoção e alegria de ser baiano e Bahia. Prato na mão, ainda almoçando, vi honrando a camisa tricolor garotos da idade do meu filho, que ao meu lado, mastigava seu bife prestando atenção, vendo seu pai ser menino de novo.
Do goleiro Júnior ao Anselmo Ramón, todos eles me reafirmaram que o Bahia é vivo, que o Bahia vibra, que o sangue de Marito, Baiaco, Douglas, Bobô, Charles é linhagem pura que se incorpora quando aquele manto colorido com a glória do mais tradicional e querido Estado do Brasil se veste sobre esses novos baianos.
A personalidade do Eduardo, a garra e liderança do Williames, a técnica a serviço da garra que o Ananias apresenta, não dá pra destacar poucos. Todos se empenharam em cada lance , não vi nenhum momento de displicência. A finalização os traiu diversas vezes, mas a justiça olhava pra eles com carinho. Viria a vitória com dificuldade, mas viria.
Viria após um empate cavado por um ensaboado Paulo Roberto, levando ao desespero os garotos tratados a leitinho Mococa da Macaca. Viria na expressão de quase desdém do garoto Júnior diante do perplexo primeiro cobrador da Ponte, que teve sua cobrança defendida pelo arqueiro tricolor. E pelas cobranças certeiras dos garotos sérios, raladores, que merecem já toda a nossa compreensão e respeito. Não vamos errar dessa vez. Vamos saber como cuidar desses meninos, para que eles nos tragam alegrias no profissional. Não vamos queimá-los. Eles não são os "Ronaldinhos baianos". Eles são eles, somente. Nós teremos alegria ao olhá-los de frente.
Já os algozes do Bahia não. Petrônio, Maracajá e CIA devem se envergonhar de ver essas crianças sustentando a honra de um Clube que eles insistem em enterrar. E se envergonharão de ver que, acima daquele glorioso escudo, as duas estrelas amarelas não são MANCHAS DE OVO do pão com ovo mirrado que os meninos tem que comer. São as estrelas dos dois campeonatos brasileiros que tornam esse clube grande. Tão grande quanto esses garotos sabem honrar
