Aqui está meu blog, onde pretendo espelhar um pouco do meu pensamento. Este tambor eletrônico e verbal vai tocar com suingue? Vamos tentar.
sexta-feira, agosto 16, 2013
domingo, abril 29, 2012
João Bani
quinta-feira, março 08, 2012
domingo, outubro 23, 2011
Se liga, Salvador
Moro no Rio desde 1995. Cheguei aqui no momento crescente ao ápice da violência urbana da capital carioca. Graças a Deus, nunca fomos alvos de abordagens violentas, agressões. Infelizmente meus filhos tiveram seus celulares roubados, por adultos desarmados, eles ainda crianças. Não foram agredidos, sempre os instrui a como agir nesses casos. Mas nada além disso, que aliás já foi bastante revoltante.
Nos primeiros meses aqui no Rio, houve noites em que eu não conseguia dormir, com o som dos tiroteios entre facções do tráfico, disputando os morros da Tijuca, onde morei inicialmente. O som dos tiros era algo comum, os lugares a serem evitados eram muitos, a tensão era constante. Mas os cariocas que eu conhecia repetiam: "Isso é em todo lugar! Toda cidade é violenta!"
Como músico, eu viajava pelo Brasil, até esquecia do som dos tiroteios. De volta ao Rio ,mal passava pela Linha Vermelha e tome som de tiro. Por vezes até correndo risco de ser atingido. E os cariocas: "Isso é em todo lugar! Toda cidade é violenta!"
Chacinas, gente morta e torturada, bondes cruzando a cidade, arrastões, mais e mais tiroteios, mortos por bala perdida, aleijados por bala perdida, e o carioca: "Isso é em todo lugar! Toda cidade é violenta!"
Um garoto é arrastado vivo se despedaçando no asfalto, por assaltantes, um helicóptero é derrubado por bandidos, um jornalista é torturado e morto e o carioca:
Bem.. o carioca começou a perceber que isso não ocorria em toda cidade do Brasil, Ou começou a admitir e colocar o orgulho e o bairrismo no seu devido lugar: no lixo. Porque enquanto se achar que o problema é menor porque seria "dos outros também", ele vai crescendo no nosso quintal.
Se liga, Salvador.
quinta-feira, setembro 29, 2011
As muitas gavetas do Rock in Rio
Mas o assunto que ocupa as redes sociais,o tema que impulsiona o lugar comum da web é a escalação de Claudia Leitte e Ivete Sangalo no festival. Comparações que projetam hipotéticas participações de Mettallica em cima de um trio no Carnaval Baiano, ou de Iron Maiden numa micareta, e por aí vai. Aliás, comecei minha ida profissional tocando em trio elétrico (tocávamos Human Nature, tocamos até "Birdland", do Weather Report, em ritmo de galope) e acredito que os gringos adorariam tocar num trio, iam matar a pau e cair no gosto do carnavalesco baiano, sempre pronto para novas propostas sonoras,apesar do massacre midiático dos mesmos produtores e artistas de sempre. Taí: lançaram uma idéia. Não se admirem se num próximo carnaval uma banda Heavy do mais puro Rock esteja em cima de um trio, no carnaval baiano.
Essas situações de confronto entre tribos musicais me lembram um show no Espírito Santo, longe dos holofotes, mas uma experiencia que vivi profissionalmente no fim dos anos 80. Escalado num festival onde as grandes atrações eram bandas como Angra e Sepultura, o artista baiano/brasiliense Renato Matos, no palco, teve que dominar uma enorme platéia de metaleiros raivosos que esperavam os irmãos Cavallera (ainda em começo de carreira, mas já um mito do povo Metal) entrar e quase silenciaram em vaias o reggae-porrada de Renato. Até ele pegar da platéia uma bengala com uma caveira de cachorro e começar a repetir um refrão, aos brados: 'UNIVERSIDADE, PEDAIS E GUITARRAS CUSTAM OS OLHOS DA CARA", sacudindo no ar aquela cara de osso de cachorro, sem olhos... Ganhou o povo...Depois, Adriano Faquini salvou de vez a pátria trazendo de volta Janis e Hendrix com sua voz rara...Melhor que jogar água mineral.
Vejo essa discussão requentada sobre a alegada incoerência da participação de Claudia Leitte e Ivete Sangallo nesta edição do Rock in Rio mais uma vez, como uma vitrine de marcação de posição e de limites, da afirmação pessoal do próprio gosto, feita de forma coletiva.
Aquela mijada no poste (ou no post?) que o cachorro dá: "Esse lugar é meu!" "Essa área é minha"!! "Ó meu nome aí"!!!
O descabelo do jovem rockeiro vendo artistas alienígenas num festival que tem nome de rock equivale ao "humpf" bovino e desdenhoso que o dândi jazzista-purista solta quando vê num dos muitos ditos "Festivais de Jazz" que pulsam pelo mundo, artistas das várias "gavetas" que a mídia precisa criar: "Étnicos", "World Music", "MPB", "Reggae" e...Rock!
Pra ilustrar, lembro aqui uma lista de artistas que se apresentaram em edições anteriores do Rock in Rio:
Baby Consuelo e Pepeu Gomes
Ney Matogrosso
(tô até considerando o Tremendão Erasmo como Rock)
George Benson
(tô até considerando o Folk James Taylor como Rock)
Al Jarreau
Gilberto Gil
Elba Ramalho
Ivan Lins
Alceu Valença
Moraes Moreira
Prince
Jimmy Cliff
New Kids On The Block
George Michael
Elba Ramalho
Ed Motta
Roupa Nova
Daniela Mercury
Milton Nascimento
Orquestra Sinfônica Brasileira
Carlinhos Brown
'N Sync
Britney Spears
Sandy e Junior
Zé Ramalho
Rihanna
Katy Perry
Stevie Wonder
Jamiroquai
Isso porque fui condescendente com alguns artistas que não citei, mas que não são artistas "do Rock".
Num mundo cada vez menor, fica cada vez mais difícil não bagunçar o gaveteiro. O pessoal tá muito "organizadinho", atitude nada rocker ;-) .
segunda-feira, janeiro 17, 2011
As Brigadas Lúdicas sobem a serra.
O sol tímido despertando o domingo no Rio não disfarçava o grande céu cinzento na direção da serra. O mini-ônibus partia do Circo-Sede da Crescer e Viver com 7 artistas entre palhaços, malabaristas, um fotógrafo e um músico, com Junior Perim à frente, organizando essa brigada lúdica. Segui com um pandeiro, alguns instrumentos de efeitos, e representando nosso centenário Sindicato, observando de que maneira podemos engajar nossa participação nos próximos dias.
As paisagens da janela ainda na Baixada Fluminense disputam espaço com as que imagino encontrar no nosso destino. Os relatos de parte da equipe que um dia antes já estivera por lá nos preparam mais que o noticiário da TV, que os jornais.
Estrada adiante, iniciamos a subida dentro daquela natureza grandiosa. Passamos pela entrada de Petrópolis, mais um pouco e chegamos a Itaipava, onde começam a aparecer os caminhões do Exército, muitos carros com doações, muitos voluntários, numa manhã de trégua na chuvas, mas em céu bastante encoberto.Em Itaipava somos direcionados a fazer nossa atividade num abrigo no Vale do Cuiabá, para onde partimos, obedecendo a uma contínua e necessária triagem feita pelas autoridades no caminho. O desolamento da paisagem se aprofunda, a cerca viva ao lado da estrada, que antes cercava casas, agora cerca o nada. Uma máquina de lavar pendendo de um galho de árvore da "nova" margem do rio nos dá uma idéia da tragédia.Colchões, chinelos, cadeiras, brinquedos, fogões, cadernos, espreguiçadeiras, automóveis dispostos no desordenamento imposto pela natureza implacável, que ainda assim prevalece em suavidade pela sua própria beleza.
Chegando ao local, um ginásio de um clube que se tranformou em alojamento abriga algumas famílias,com seus pertences que conseguiram recuperar e suas sentinelas vivas: seus queridos e fiéis "Hulks", "Shadows", "Rex's" e outros belos e nobres viralatas que serão suas casas onde elas estiverem. Suas casas são os corações dos seus donos. Com cabelos de fogo e olhos assustados de água, o pequeno e machucado Caio nos recebe cumprimentando um a um. Do monociclo, dos malabares, bolas, da alfaya, dos pandeiros, eles vão se acercando cumplices da alegria.
Guilherme quer ser músico. E vai ser dos bons: explorando o girassino, um instrumento percussivo com 5 notas de ré a lá , já descobriu algo parecido com "Frere Jacques", que ele conhece como "a música dos dedinhos, da Eliana".Eduarda desenha casas lindas com canetinhas coloridas e me deu uma de presente.
Douglas mostrava o que aprendeu a tocar no pandeiro, na Igreja.
Mas num canto com a avó ao lado, com um psicólogo voluntário que atua na região, a Gabriela, irredutível chorava não querer saber mais de viver, quanto mais de palhaços, músicos, circo, pandeiro ou canção. Um choro mais de revolta que de dor. Revolta com a própria dor, com o próprio sofrimento. Para ela não tinha cabimento nenhuma alegria, até ser cortejada pelo Café Pequeno.
Café Pequeno, o palhaço, faz surgir flores do chapéu, chegou com seu grande sapato, e o espetáculo começou, a trupe se desorganizou em círculo, a mulher mais alta do mundo, o monociclista, o malabarista, a palhaça amiga, o mestre de cerimônias..Hulk, Shadow e seus companheiros viralatas se transformaram em "Leões", os risos brotaram vivos em todos, e então reparei que Gabriela também gargalhava, sua beleza explodia em sorriso.
Aí quem quase chorou fui eu.
As Brigadas Lúdicas do Crescer e Viver, com a participação do SindMusi, estão se organizando para novas ações ainda esta semana e nas próximas, e diferentes artistas poderão levar sua colaboração aos que precisam desse ânimo na alma, pra aguentarem a barra que estão passando.
quinta-feira, dezembro 02, 2010
BUNGEE JUMPING JACK FLASH
O quatro-olhos.
Cresci, me formei, me bem-sucedi profissionalmente numa grande empresa, casei e meu coração um pouco mais velho começou a vagar nos riscos da nostalgia, da busca do tempo perdido em mais tempo de vida com esportes, com emoções. Passei a reforçar o coração com caminhadas em altas conversas matinais.
Queria mais
Ousar
Mas o passado ferrenho intimidava a coragem tardia
Um sopro de valentia me trouxe a solução
Deixei o medo esquecido, entre teias no porão
Pra não deixar que a emoção na minha alma se feche
Hoje mergulho em vazios
BUNGEE JUMPING JACK FLASH!
quinta-feira, novembro 25, 2010
Meus alunos da Vila Cruzeiro no Coração do Conflito
quarta-feira, novembro 03, 2010
Bahia X Coritiba
O resultado, pelas circunstancias foi positivo pra gente.
O fato de Jael perder o penalti foi "justiça divina". Não foi penalti. Outra jogada reclamada pelo Coritiba, igualmente não foi. Por outro lado, a jogada que o cara do Coritiba meteu a mão na bola foi penalti. Um juiz de um Estado que não figura nem na série A nem na B, apitando jogo de dois campeões brasileiros dá nisso.
Esse time do Bahia parece, como visitante, jogar contra os adversários da mesma forma como Coritiba jogou contra nós: Articulado, armando as jogadas. Será que a massa os intimida? A responsabilidade?
Jael, definitivamente precisa cair na real , pois está muito inconstante como jogador. Acho que tá rolando, não diria uma máscara, mas um deslumbramento num cara de 20 e poucos anos, que nunca havia experimentado antes a situação de quase idolo diante de uma torcida dessa magnitude.
Parabéns à nossa torcida que, para os que falam em "qualidade", essa coisa quase imensurável numa torcida de futebol, demonstrou uma real qualidade, uma qualidade HUMANA: solidariedade pelo jogador adversário, que, fraturado, saiu de campo aplaudido e apupado pela torcida tricolor.
Torcida que foi até magnânima com o Bahia que, bem abaixo do futebol que poderia apresentar, e diante de um adversário mais competente, saiu aplaudido, mesmo tendo feito um gol e entregue o jogo em tempo tão curto, e logo ao final.
Finalizando , o seguinte: Camisa comemorativa muito bem vinda em homenagem à galegada baiana, mas é bom usar quando há algo para comemorar em campo também. Ainda não subimos, e tampouco somos campeões.
Vamos subir primeiro, pra homenagear ou celebrar alguma coisa.
As cores do esquadrão fizeram falta hoje. Ali tem mistica, tem o nosso Estado estampado nas nossas cores e no nosso nome. Esporte Clube[b][blue] Estado da[/blue][red] BAHIA.[/red][/b]
Nossas glórias se refletem nessas cores.
sexta-feira, outubro 29, 2010
segunda-feira, outubro 18, 2010
Torcida do Bahia ora o Pai Nosso ao final de cada trinfo.mp4
sábado, setembro 18, 2010
Márcio Araujo: Um legado de Telê Santana
quarta-feira, abril 21, 2010
Ama de Música (Brasília)
Eu tinha nove anos
E você já feito onze
Da Bahia me levaram numa máquina do tempo
Para seios onde em traços de poetarquitetura
deitavam o sonho de Nonô e o chumbo da ditadura
Para seixos dos riachos recortando teu cerrado
Teu recato transbordado
teu mistério desvendido
Tua poesia me chama quando chego em você
nada muito a dizer, minha amante consentida
De ti nasceram meus filhos com a Guanabara
Mais brasileiros, como poderemos ser?
Parabéns, querida ama de música
que me mostrou o céu de frente, o voar no chão
o bater meu tambor no teu Brasil coração
domingo, fevereiro 14, 2010
Carne de Sol, Carne do Sol.
A carne de sol tem origens diversas, histórias contadas de todo canto, mas a verdade é que em comum todas as versões se encontram no fato de que alguem precisou um dia salgar a carne para conservá-la em tempos sem geladeira. Quanto mais sal, mais tempo de conserva.Na época do Descobrimento, as carnes, além do sal, eram protegidas de fungos, moscas e suas larvas com sal e muito tempero, as chamadas especiarias, que eram base das transações econômicas da época e citadas pelos historiadores como motivadoras das rotas marítmas que deram outra cara ao mundo.
A carne de sol tem versões diversas de acordo com a região: umas se curtem mesmo ao sol, outras depois de salgadas deitam seu soro sob o sereno. Os cortes variam com as preferências, como mudam os nomes das partes do boi Brasil afora.
As minhas versões preferidas são as da cidade de Rui Barbosa e da Chapada, na Bahia, as servidas em Natal RN, Pernambuco, Paraíba e as espetaculares carnes de sol de carneiro e bode de Teresina.
Mas lembro das viagens com meus pais a Feira de Santana, na Bahia ainda garoto. A feira "de Feira", gigantesca, com gente vinda de todo lugar para vender e comprar, exibia nas suas barracas aquelas mantas enormes de carne do sol, que minha mãe cuidadosamente ia escolhendo, enquanto eu salivava antecipando a hora do almoço que viria sob a regência daquelas mãos mágicas a preparar um bom pedaço para ser comido com pirão de leite, um feijaozinho, um suco de mangaba...
Patinho, coxão-mole...Mais magra a primeira, mais adiposa a segunda, eram as preferidas de Dona Ruth.
E a cada nascer do sol, essa iguaria volta e meia aparecia na mesa lá de casa. Depois, morando em Brasilia, aproveitamos a boa presença nordestina no lugar para continuar no hábito. Mas sempre, comprando pronta em açougues onde um bom nordestino conservava carne e cultura. E assim aderiram também ao gosto a minha companheira e os nossos filhos.
Aqui no Rio, ao chegar, percebi que carne do sol não se encontra em todo lugar, perto de casa. É preciso que se procure restaurantes especializados, ou então indo direto à Feira de São Cristóvão, onde o que não falta é opção para se comprar, seja nos restaurantes ou nos açougues.
Vindo com a força do hábito, era pouco para mim. Não ter carne do sol no açougue da esquina era o fim. Resolvi fazer a minha própria. O sertão bravio clamava no meu estômago. As caravanas vencendo a caatinga do interior baiano rugiam no DNA. Brumado, Boninal, Seabra, Lençois...A rude carne do sol que se apaziguava as faces ensolaradas e curtidas do sertão baiano chamava o frugal bife com fritas e feijãozinho preto carioca de "fulêro".
Parti para um açougue, comprei um bom pedaço bem gordo de chã (como chamam aqui o coxão-mole), e o coloquei na tábua. Abri lateralmente, no sentido da gordura para baixo, um bifão de uns 3,5 cm de altura até pouco antes de transpassar. Em forma sanfonada (tudo a ver!), no corte, voltando no sentido contrário, fui dando forma àquela peça que seria a primeira de muitas.Salguei, com sal fino (é melhor para controlar a quantidade. O sal grosso passa do ponto muitas vezes), deixando a mesma com uma crosta esbranquiçada de sal e a deitei numa vasilha grande. Seis horas marinando, escorri o soro, salguei de novo. Quatro horas marinando, escorri mais soro e acrescentei um copo de leite integral, onde ficou por mais 4 horas. (O leite redistribui e equilibra o sal, retirando o excesso sem tirar o sabor da carne, como a água faria. A carne de sol desse preparo não precisa escaldar nem por de molho.) Continuando, já de noite, pendurei a danadinha protegida por um filó e a deixei serenar, a retirando no final do dia seguinte...Estava pronta a minha vingança cultural, satisfeito meu paladar e fica como receita para quem ler.
Só lembrando: Carne de sol e carne-seca ou charque, são coisas diferentes. Cuidado com a pressão alta!
abraços
João Bani
segunda-feira, dezembro 07, 2009
A riqueza e a "Civilidade"
Em Curitiba, uma das cidades de IDH (Indice de desenvolvimento humano) mais elevados do País, o vandalismo e a barbárie tomaram conta do Couto Pereira, na insatisfação de torcedores paranaenses pela queda do "Coxa".
No Rio, enquanto bairros humildes da zona norte e do subúrbio comemoraram o título do Flamengo na paz, um dos bairros de IDH e renda per capita mais altos do Rio e do Brasil, o Leblon, virou praça de guerra de filhinhos de papai marombados e praticantes de artes marciais, torcedores do mesmo clube, que venceu o brasileiro. Imagine se tivesse perdido.
Quando a gente vê uma menina como a Cristal tocando piano absurdamente bem surgir de uma favela do Recife. Ou vê um Presidente da República oriundo do Sertão e do operariado ,preconceituosamente chamado de "analfabeto" ou "ignorante" por alguns se tornar líder internacional respeitado e ouvido, com um governo de indices de aprovação elevadíssimos e resultados sociais nunca obtidos antes..Quando eu vejo uma menina como a Mayra, 17 anos e líder na Favela da Vila Cruzeiro na luta contra as desigualdades, a quem muito orgulhosamente dou simples aulas de percussão, ser eleita Nobel da Paz Mirim e receber reverencias do Bispo Tutu, além ser considerada uma das 100 personalidade do ano pela revista Época...Quando vejo o Adriano, também da Vila Cruzeiro, desafiar os "cretinos fundamentais" e os "óbvios ululantes" (obrigado, Nelson Rodrigues) do pensamento raso monetário de que foi louco por trocar a infelicidade ultra remunerada na Europa pela felicidade de estar perto de casa e das coisas simples da vida...
A gente percebe que o querer é maior que o "Poder". Porque o querer que luta tudo pode, e com o sacrifício faz muito melhor.
segunda-feira, agosto 31, 2009
KINDALA
Formado pelas irmãs Daniele, Gabriele e Liliane Correa, o Kindala traz a sonoridade herdada dos antepassados africanos em músicas de louvor a Deus e à cultura quilombola.
Originalmente denominadas "Trio Remanescente de Cantoras Quilombolas da Praia Rasa", o grupo adotou, por sugestão do produtor e músico João Bani, o nome de "Kindala", que quer dizer "Agora" na língua Kikongo-Kimbundo, de Angola, nação berço dos escravos que foram desembarcados na Praia Rasa, em Búzios, no Século IXX.
Cantando juntas desde a infância, nas Igrejas Evangélicas da Região de Búzios, desenvolveram uma interação vocal surpreendente, estimulada em muito pelo pai, músico evangélico que sempre pregou a valorização da sonoridade africana.
Atualmente estão em fase de Pré-produção do seu primeiro CD, com produção do Músico João Bani (www.myspace.com/joobanipercussioncomposer) e arranjos de João Bani e Humberto Mirabelli.
quarta-feira, outubro 15, 2008
Leny Bello
Leny Bello
Ela é agitada, ansiosa, irrequieta e sincera. Ela rebate na lata, ela não te falta, ela está sempre pronta. Esse coração aberto de passo marcado, de compasso dividido por quantos for necessário. Essa mulher forte, amiga, leal, que nos apresenta os maiores valores que podemos esperar de uma amizade, carinho e verdade, chama-se Leny Bello.
Já se vão três anos do final de 2005, quando você se mostrou para mim uma grande amiga num momento de perda, com suas sinceras orações pela minha mãe.
Leny, minha querida. Dona Ruth recebeu suas orações, eu tenho certeza disso. Não sei se corações corajosos e generosos como os de vocês duas tem alguma espécie de “clube”, ou sociedade entre os diversos planos espirituais, mas ver nossa amizade, tudo o que você me ofereceu, o exemplo de vida, o entusiasmo, a energia, tudo me vem como uma encomenda de Dona Ruth.
Leny, a cada quarta feira que você ajudava uma entidade assistencial, você me ajudava também. Cada quarta era a “feira” de quinta e com ela eu pude contar durante todos esses meses. Nosso ciclo de Canto e Cantoria este ano inicia agora sua pausa exatamente quando novas oportunidades profissionais surgem para mim. E me dão a certeza de que mais valeu estar ao seu lado, da sua positividade, da sua garra e sinceridade, do que ter dado atenção a tristes vaticínios que tentaram impingir a meu futuro profissional. Meu tambor bate forte e para o bem! Meus “sérios problemas” agora são outros, como por exemplo, tentar conciliar uma agenda. E o de passar as quartas feiras sem sair daqui do Grajau de tardinha, pegando o rumo do Canto e Cantoria, para cortejar sua belíssima obra, minha querida. O ciclo da vida segue, novos ganhos e perdas virão, novas safras e entressafras, mas o que se consolida no coração não se esquece.
Muito obrigado, que Deus abençoe nossa amizade.
João Bani, 15 de outubro de 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
Os Grandes Clubes não morrem

sexta-feira, abril 11, 2008
Rádio-Cabeça


O ônibus era puro barro, numa Brasília das primeiras chuvas, avenidas monótonas, paisagens que só o tempo deixava desiguais. Era preciso passar muitas vezes por elas para aprender a diferenciar cada quadra da outra, cada parada da próxima ou passada... A música na minha cabeça rolava entre Deep Purple e Noel Rosa. Os primeiros me haviam chegado muito tempo antes, pelos discos do meu irmão. O Poeta da Vila, por uma coleção mensal sobre MPB que tínhamos em casa.
Smoking “under” the water, quase como Jon Lord, Blackmore e tribo, com um cigarro aceso e quase molhando, mas sem mosquito para espantar quase como Noel, eu sem saber vivia o porque da música ser um traço definitivo na vida de certas pessoas. Diante do silêncio da capital nos anos 70, só Música para me fazer companhia nos percursos daqueles ônibus mudos e imundos. Eu desenvolvera em minha mente uma discoteca. Ainda não havia chegado o walkman, hoje eletrônico dinossauro. Rádio com “egoísta” poderia ser uma solução. Mas em stereo, com repertório próprio e com o arranjo destacando o que se queria, somente a Rádio Cabeça.
Morava na Vila Planalto, uma comunidade remanescente dos pioneiros da construção da Brasília, numa bela casa de madeira, com um grande quintal, numa família onde os discos juntavam o sertão de Luis Gonzaga dos meus pais, reminiscências da Jovem Guarda, Chico Buarque, Caymmi, Gal, Gil, Elis, Caetano, Stones, os já citados Purple e Noel, coisas da Motown...Era um ecletismo bastante saudável. Gosto muito do que ouvi. Hoje, sem sugerir uma palavra que os direcione, vejo meus filhos gostarem também de muitas dessas coisas. Descobriram na internet.
A mudança para Brasília, que ocorrera anos antes, fora um dado importante nessa musicalização. As interações culturais da cidade , com gente chegando de todo o país e muitos estrangeiros residentes, destacavam personagens da nova cena musical naqueles tempos ainda de regime militar, quando aconteciam pequenos filhotes de Woodstock nos Concertos ao Ar Livre que os chamados “agitadores culturais” promoviam nas entrequadras.
Mas na minha Rádio cabeça, no Norte daquela bússola onde imerso eu seguia olhando o céu de frente na Capital, naquela metade dos anos 70, um repertório novo surgia . Rose, uma das minhas irmãs, verdadeira Rosa dos Ventos Musicais, chegara em casa com um LP, Minas, de um cantor e compositor que então já era consagrado, mas que passara ao largo da minha Rádio cabeça durante algum tempo. Ouvi, e ouvia o Gran Circo de introdução triunfante, com harpas , com vocalizes do Pará em Fafá, as percussões ricas, o Trastevere me apresentando free jazz com vocais de catedrais. Os compassos compostos soando naturais, as Asas da Panair, o beijo Partido unindo Paula a Bebeto.
Minas , o disco, e Minas , a terra, me mostravam caminhos para tanto lugar... Com divisa relativamente perto do Distrito Federal, pelas bandas da obra de Guimarães Rosa, bem ali estava a Minas do peixe vivo, do Juscelino que gerara aquela Brasília onde embalava os percursos da minha Rádio imaginária agora ao som de um filho seu e sua turma.
Minas, o disco, me levou a Geraes, me resgatou o Clube da Esquina anterior que eu não conhecera, me impressionou com Raça. Me mostrou Journey to Down , viagem melhor que as bad trips de tantos heróis da época. Naqueles ônibus, eu pagava a passagem com um Tostão, One Coin, mais valioso que um milhão. Lília era trilha sonora da L-2, superquadras passando... Com Fé cega e Faca amolada eu enfrentava o vazio do Eixo Monumental. “Menino” me mostrava em barro as crianças largadas na Rodoviária, “Fazenda” era orvalho no seco Cerrado...E eu com o silêncio do ônibus, com gente tão calada nos bancos, tempos de regime militar...Que rádio estariam ouvindo, que programação teriam para animar o silêncio daqueles medos?
Pensei em escrever sobre isso para celebrar uma alegria espiritual e profissional que me tem sido ofertada há alguns anos. A de poder, eventualmente, colocar a serviço do maior hitmaker da minha “Rádio Cabeça” os meus tambores, minha música, o que não deixa de ser uma retribuição. Ele me deu a música, que a tome de volta. Há alguns anos, pela generosidade da confiança do amigo e mestre de percussão Marco Lobo, titular absoluto do time do Bituca, tenho tido oportunidade de participar de shows do Milton, como substituto. Na última delas, em Belo Horizonte, diante de uma multidão na Praça da Estação, tive a boa e velha Rádio Cabeça a me auxiliar , na lembrança daquela trilha sonora que me conduzira pelas ruas de Brasília e que afinal me levara até ali, àquele palco. Fosse futebol o ofício da minha alma e seria como estar em Santos jogando bola com Pelé.
A diferença é que nos jogos do time do Bituca, ninguém perde.
A Rádio Cabeça agradece.








